
Hoje perambulei pelas ruas procurando um canto qualquer para me abrigar.
Quis "fugir de casa" como uma adolescente que não cabe mais no canto que sempre pertenceu. E logo eu que adoro estar em casa, que sempre a tive como meu templo... (!)
Hoje ela tornou-se apenas a representação do que não sei lidar e eu, num ato cotidiano da natureza humana, fugi.
Mas o que encontrei do lado de fora foram ruas tumultuadas, abarrotadas de anônimos com suas máquinas de produzir e reproduzir ... e uma realidade que me deu os ombros com ares de desdém e disse: Se quiser, ache um canto por aí e fica.
Mas o que encontrei do lado de fora foram ruas tumultuadas, abarrotadas de anônimos com suas máquinas de produzir e reproduzir ... e uma realidade que me deu os ombros com ares de desdém e disse: Se quiser, ache um canto por aí e fica.
Não quis ficar. Voltei para meu templo em ruínas junto com o silêncio gigantesco que não me deixa respirar.
Este meu silêncio gigante não quer magoar, mas magoa.
Ele é um respeito travestido ou um cansaço evidente: porque não sou dessas que calam a não ser que seja inevitável, imprescindível.
Sei fazer-me respeitada no meu discurso prolixo. Mas acontece que quase ninguém respeita o meu silêncio. Quase ninguém entende que eu posso não entender alguma coisa de mim e que, embora viva em pé de guerra com o tempo, também preciso dele como suave companheiro de agonias que me ensurdecem mesmo sem dizerem a que vieram.
Meu silêncio diz: eu não sei... - É isso. Mesmo que muitas vezes ele saiba muito mais do que supõe ou só não queira fazer-se doer.
Mas o mundo me sacode exigindo respostas, teorias, explicações.
E eu só quero a tranquilamente de uma noite em paz.
Quando cheguei em casa, fugindo dos outros e de mim, num rápido momento de trégua universal a escuridão que eu precisava bateu à porta trazendo pela mão uma daquelas tempestades que me acalmam...
Sobrou a leveza em meu corpo enrijecido e embalou-me como criança.
Com o sono dos deuses derramado em meus olhos desfaleci até o alvorecer do mundo real.
Lunna Dispersi.
